A FASUBRA está de greve e o SINTET-UFU não, e agora?
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A ideia desse texto é conversar sobre o cenário atual de greve da FASUBRA, que iniciou no último dia 23 de fevereiro.
Começo esclarecendo que essa decisão foi tomada em assembleia de base da categoria, após debate entre os presentes. O que ficou decidido foi, apesar de contrários à greve naquele momento, manteve-se o estado de greve, o que já indica que a mobilização continua e que essa decisão, caso fosse necessária, seria revista após o dia 23, com mais elementos.
A greve iniciou no dia 23, porém ainda sem uma maioria absoluta de adesão dos sindicatos da base, pois das 73 entidades filiadas à FASUBRA, somente 44 sindicatos realizaram assembleia para debater e deliberar sobre o tema da greve. Dessas 44 instituições, 29 iniciaram a greve no dia 23 de fevereiro e 15 não iniciaram no dia 23. Importante destacar que 24 instituições filiadas à FASUBRA, até o dia 23 de fevereiro, ainda não haviam deliberado sobre o tema. Portanto a greve se inicia com a base da federação dividida, quanto à assertividade de uma greve agora.
A discussão sobre a greve não é simples. Ela envolve não só salário, mas condições de trabalho, valorização profissional, orçamento das universidades e respeito às negociações com o governo federal.
Nos últimos anos, a categoria enfrentou perdas salariais acumuladas pela inflação, defasagem no plano de carreira e dificuldades estruturais nas instituições. Muitos trabalhadores relatam sobrecarga, falta de reposição de pessoal e condições que impactam diretamente a qualidade do serviço prestado à sociedade. A greve, neste contexto, surge como um instrumento histórico de pressão e negociação, previsto na Constituição, quando o diálogo não avança de forma satisfatória.
Por outro lado, também é preciso refletir sobre o momento político e econômico atual. Existe uma mesa de negociação aberta? Há sinalizações concretas de avanço? Uma greve agora fortalece a categoria ou pode enfraquecer o diálogo? É necessário avaliar estrategicamente se este é o momento mais eficaz para paralisação ou se ainda há espaço para negociação, mobilização e pressão sem suspensão das atividades.
Se defender a greve agora, é por entender que os trabalhadores já aguardaram o suficiente e que sem mobilização firme não haverá conquistas reais. A história mostra que muitos direitos só foram garantidos por meio da organização coletiva e da luta.
Se defender que não é o momento da greve, é por acreditar que o mais adequado para essa conjuntura é a busca pela construção de soluções a partir de outras ações que promovam pressão política de outras formas, como atos, assembleias e mobilizações nacionais.
Independentemente da posição, o mais importante é a unidade da categoria. A decisão deve ser coletiva, consciente e estratégica. Precisamos analisar todos os pontos apresentados até agora e como está a greve nas outras localidades.
A greve não é um fim em si mesma. Ela é um instrumento. E todo instrumento precisa ser usado com responsabilidade, estratégia e clareza de objetivos.
Que a categoria decida com maturidade, pensando no presente, mas também no futuro da categoria e da universidade pública.
Por isso convidamos todos os técnicos a acompanharem nossas redes sociais, que sempre vamos atualizar sobre o tema da greve.
Também convocamos a todos e a todas para participarem da assembleia que irá acontecer na próxima semana.
Um abraço a todos e a todas.
Por Natália Lucena, assessora política do SINTET-UFU, para o Fala SINTET-UFU de 25 de fevereiro de 2025.



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