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Nota de apoio à ocupação realizada pelo MTL em Uberlândia

  • há 9 horas
  • 3 min de leitura

NOTA DE APOIO À OCUPAÇÃO REALIZADA PELO MTL EM UBERLÂNDIA


Os partidos políticos, as entidades sindicais e populares abaixo-assinados manifestam seu apoio às famílias organizadas pelo Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), que realizaram ocupação na Fazenda Bom Jardim, em Uberlândia, como parte da luta por terra, moradia, trabalho, dignidade e justiça social.


A luta pela democratização do acesso à terra é uma dimensão fundamental da construção de uma sociedade efetivamente democrática e socialmente justa. Em um país marcado historicamente pela concentração fundiária, pela especulação imobiliária e pela desigualdade social, a Reforma Agrária permanece como uma reivindicação atual e necessária.


Segundo informações divulgadas pelo MTL, a ocupação reuniu aproximadamente 150 famílias, muitas delas já cadastradas junto ao INCRA, incluindo famílias oriundas do Acampamento MTL Bob Vive, constituído após o assassinato de Robinson dos Santos Guedes, o companheiro Bob, ocorrido em março de 2025. A situação dessas famílias expressa a urgência de uma resposta do Estado que assegure o direito à terra, à vida, ao trabalho e à dignidade.


A ocupação também colocou em debate questões de grande relevância para toda a sociedade uberlandense. A destinação de uma extensa área rural para empreendimentos imobiliários e para a instalação de um grande Data Center, anunciado com elevados valores de investimento e promessas de geração de empregos, precisa ser submetida ao mais amplo escrutínio público, com transparência, participação social, licenciamento ambiental rigoroso e absoluto respeito à legislação.


Especial atenção deve ser dada às denúncias apresentadas pelo MTL acerca da valorização patrimonial da área e das relações envolvendo fundos de investimento, empresas e agentes econômicos. *Eventuais irregularidades devem ser rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes*, assegurando-se transparência, devido processo legal e responsabilização daqueles que eventualmente tenham cometido ilícitos.


Não pode haver, em uma sociedade democrática, dois pesos e duas medidas: rigor e criminalização para os trabalhadores que lutam por seus direitos e tolerância diante de eventuais práticas lesivas ao patrimônio público, ao meio ambiente ou aos interesses da sociedade.


Também consideramos fundamental que qualquer projeto de grande impacto econômico e ambiental seja discutido publicamente. A geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico são importantes, mas não podem servir como justificativa para a ausência de transparência, para a flexibilização da legislação ambiental ou para a transformação da terra em mero ativo de especulação financeira.


*Defendemos desenvolvimento econômico com trabalho decente, preservação ambiental, democratização da terra e respeito aos direitos sociais.*


Nesse sentido, reivindicamos das autoridades públicas:


* a abertura imediata de um canal de diálogo entre o MTL, as famílias ocupantes e os órgãos públicos competentes;

* o cadastramento, pelo INCRA, das famílias que ainda não estejam cadastradas;

* a realização das vistorias necessárias nas áreas indicadas pelo movimento, observando-se a legislação agrária e o cumprimento da função social da propriedade;

* a adoção das medidas necessárias para viabilizar o assentamento definitivo das famílias;

* a apuração rigorosa, pelos órgãos competentes, das denúncias relativas à valorização patrimonial, às operações financeiras e às relações empresariais envolvendo a área ocupada;

* a garantia de transparência e participação social em relação ao projeto de instalação do Data Center, inclusive quanto aos impactos sobre os recursos hídricos, o meio ambiente, o consumo de energia e a infraestrutura urbana;

* a responsabilização dos autores do assassinato de Robinson dos Santos Guedes (Bob), com a conclusão célere e rigorosa de todos os procedimentos necessários à aplicação da Justiça.


Os partidos, sindicatos e entidades abaixo-assinados reafirmam que *a luta pela terra é também uma luta contra a desigualdade, a fome, o desemprego, a concentração fundiária e a especulação imobiliária*.


Manifestamos nossa discordância e indignação em relação a postura da Polícia Militar pela ação ilegal de despejo, sem mandado judicial, contra as famílias que ocupam um terreno vinculado ao maior escândalo de corrupção do país nos últimos tempos. Sabemos que em um Estado de classes sociais antagônicas, a polícia militar se configura como uma instituição pouco comprometida com a humanização e democratização da sociedade, e umbilicalmente comprometida a manter os interesses da classe dominante. E o que aconteceu hoje em Minas Gerais, demonstra uma postura de inteira submissão aos interesses das elites e do governo estadual de plantão.


A terra deve cumprir sua função social.


Pela Reforma Agrária!

Pelo direito ao trabalho e à dignidade!

Pela preservação ambiental e pelo desenvolvimento socialmente responsável!

Pela apuração de todas as denúncias e pela responsabilização de eventuais responsáveis por ilícitos!

Justiça para Bob!

Solidariedade às famílias do MTL!


Uberlândia, 1 de setembro de 2026.


Partidos, Sindicatos e entidades abaixo-assinados


Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) - Uberlândia

Partido Socialista Brasileiro (PSB) - Uberlândia

Partido Comunista do Brasil (PCdoB) - Uberlândia

Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Unidade Popular (UP)


FASUBRA Sindical

SINTET-UFU

Sinpro - MG

ADUFU-SS

SINTEL

Secua


Central de Movimentos Populares (CMP)

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto - MTST

Movimento Popular pela Reforma Agrária - MPRA

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST (Regional Triângulo Mineiro)

Proletários Esporte Clube

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em Instituições Federais de Ensino Superior de Uberlândia.
Fundado em 22 de Novembro de 1990

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