Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha | 22 de julho de 2026 | Fala SINTET-UFU
- 22 de jul.
- 4 min de leitura
PROGRAMA FM UNIVERSITÁRIA – 22 de julho de 2026
FALA SINTET-UFU - Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha
(Raissa) Olá, companheiras e companheiros, aqui é Raissa Dantas, e neste Fala Sintet-UFU nós recebemos Ivete Almeida, professora do Instituto de História da UFU, para falar sobre o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. Bacharel, Mestre e Doutora em História Social pela USP, Ivete atua, ainda, como Pesquisadora Associada do NEAB-UFU; é líder do grupo ''Estudos Negros'' - Grupo de Pesquisa em História e Representações dos povos e das culturas de matrizes africanas, e trabalha em outras relevantes frentes acadêmicas. Seja bem-vinda ao Fala SINTET, Ivete. Sintonize suas lutas!
(Ivete) Oi, Raissa. Olá para todas as pessoas que estão nos ouvindo. Que bom estar aqui com vocês. Obrigada pelo convite. Estou muito feliz em falar aqui com vocês um pouquinho sobre o Dia Internacional da Mulher Negra Latina e Caribenha, que é celebrado no 25 de julho, uma data instituída em 92 durante o primeiro encontro de mulheres negras latino americanas e caribenhas, que foi realizado lá em São Domingo, na República Dominicana.
Essa data foi uma data muito importante para marcar a organização política, a organização do movimento de mulheres negras aqui no continente americano. Então mais do que uma simples data no calendário, o dia 25 de julho ele é um marco político da denúncia contra o racismo, contra o sexismo, contra as desigualdades históricas que atingem as mulheres negras no continente americano, sobretudo a América Latina e Caribe.
E para nós aqui, Raíssa, que estamos no Brasil, dia 25 de julho, ele também é dedicado a uma grande mulher, que foi a Tereza de Benguela, que é reconhecida hoje como um dos símbolos nacionais. E ela é um símbolo da resistência feminina negra. A Tereza foi uma importante líder, uma líder quilombola, líder do quilombo do piolho, também chamado quilombo do Quariterê. A Tereza foi a liderança desse quilombo, que ficava ali na região do Mato Grosso, que se organizou durante o período do século 18. E ela assume essa liderança após a morte do companheiro dela. E ela organiza a estrutura política do quilombo, as relações econômicas e militares.
Porquˆ é interessante resgatar isso, assim como a rainha de Zingembande, assim como a mina de Zasal. Tereza de Benguela também era uma estrategista e isso muito pouco se fala dessas mulheres que são grandes estrategistas de guerra. Mas ela foi uma dessas que garantiu a sobrevivência mesmo da comunidade dela por décadas. A trajetória dela demonstra para a gente que as mulheres negras não se colocaram apenas como vítima durante o período do escravismo colonial. Elas foram contra elas lutaram, elas elaboraram estratégias de sobrevivência estratégias de guerra foram líderes e construíram o caminho para a nossa liberdade mulheres muito importantes.
Bom, falar sobre a luta, a luta das mulheres negras, Raissa, também envolve questões contemporâneas. Então é fundamental a gente pensar que hoje, durante muito tempo, as narrativas sobre a nossa sociedade privilegiaram as histórias e as ações dos homens brancos, das elites, enquanto as pessoas negras e, sobretudo, as mulheres negras, embora tenham protagonizado muitos momentos importantes de viradas da nossa sociedade, protagonizado muitas ações ligadas à educação, à cultura, essas mulheres foram invisibilizadas, mesmo sendo peças importantes na formação das famílias, das comunidades.
Pense aí na sua comunidade e pense o quanto as mulheres negras são importantes, são cruciais. Na organização das comunidades. Todo tipo de comunidade aqui nesse país tem as mulheres negras como base, como pedra fundamental, mas elas são frequentemente invisibilizadas. E quando falamos de mulheres negras, falamos então de trabalhadoras, de intelectuais, de jornalistas, de médicas, engenheiras, mães, falamos de quilombolas, falamos de lideranças políticas, lideranças religiosas, artistas, educadoras. Enfim, as mulheres negras, elas estão sim em todos os lugares dessa nossa sociedade e estão fazendo diferença e precisam ter, então, esse valor reconhecido.
E além disso, discutir a luta das mulheres negras nos permite compreender como, em que dimensão o racismo e o machismo atuam na nossa sociedade. Porque as mulheres negras são o principal alvo, tanto do racismo, do machismo.
Bom, Raissa, se a gente for conversar sobre isso, a gente vai passar muito tempo. Então, eu só vim aqui mesmo falar um pouquinho, chamar a atenção de vocês, para que vocês procurem aí, leiam Mulheres Negras, leiam autoras negras, leiam Sueli Carneiro, leiam Conceição Evaristo, leiam Carolina Maria de Jesus, leiam essas Mulheres Negras que falam sobre nós, falam sobre as nossas sociedades. Lembrem que celebrar o 25 de julho é reconhecer a memória dessas mulheres, é reconhecer a memória de Teresa de Benguela e a importância que todas essas Mulheres Negras, Latina e Caribenhas têm no nosso dia a dia e na formação da nossa sociedade.
É isso, grande abraço.
(Raissa) Muito bom conhecer um pouco mais da história do Julho das Pretas a partir das suas contribuições, professora Ivete. Agradecemos pela participação. Agradecemos, ainda, Tatiane Souza, discente do curso de História da UFU, que auxiliou na intermediação deste episódio do nosso programa. E esse foi o Fala SINTET-UFU dessa semana. Um ótimo dia a todas e todos e até o próximo programa.
Comentários