Janeiro Branco e a Garantia de Saúde Mental | 14 de janeiro de 2026 | Fala SINTET-UFU
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PROGRAMA FM UNIVERSITÁRIA – 14 de janeiro de 2026
FALA SINTET-UFU – Janeiro Branco e a Garantia de Saúde Mental
(Osmam) Olá, companheiros e companheiras, aqui é Osmam Martins, e neste Fala Sintet-UFU, a gente conversa sobre a campanha janeiro branco e a garantia de saúde mental.
(Osmam) Para falar sobre esse tema, recebemos a travesti Mariana Miranda, mais como conhecida pelo perfil @manualpraticodabruxaria , professora da rede estadual de MG nas áreas de ciencias sociais e letras. Mariana é também mestra em estudos literários pela UFU, marxista e militante no campo de decolonialidade, genero, raça e travestilidade. Muito obrigado por aceitar o convite, seja bem vinda ao Fala Sintet, Mariana. Sintonize suas lutas!
(Mariana) Olá Osmam, olá ouvintes do FALA SINTET, obrigada pelo convite para participar de mais uma edição do programa, abordando esse tema do Janeiro Branco e a saúde mental.
(Mariana) Primeiro eu gostaria de começar dizendo que não existe espaço no capitalismo para o acesso pleno, seja a saúde física, seja a saúde mental. E por isso não há uma campanha sobre começar o ano com uma folha em branco que vai trazer paz para ninguém nesse sistema. O que não quer dizer que não devemos procurar cuidados individuais diante das barbáries que enfrentamos.
(Mariana) Eu não sou a favor de quem diz que devemos rasgar o DSM. Uma pesquisa de 2021 de grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, publicada pela revista Ciência e Saúde Coletiva, demonstrou que 70% da população trans entrevistada já teve ideação suicida, enquanto 43% já tinha ao menos uma tentativa pregressa. A população trans é um exemplo, mas esses índices são preocupantes para a maioria dos grupos oprimidos e explorados no Brasil.
(Mariana) A sensação geral é de esgotamento, viver num sistema econômico absolutamente desvinculado da ética do acolhimento e da solidariedade é degradante, gera extremo sofrimento emocional e devemos afirmar a cura está nas bases, na solidariedade e na equidade que encontramos nas aldeias, nos terreiros, nos quilombos e nas casas de acolhimento de pessoas trans e travestis.
(Mariana) Mesmo afirmando tudo isso, é preciso reforçar um valor que vem sendo esquecido na era da pós-verdade. A ciência e a produção de conhecimento científico são frutos do trabalho de um povo explorado por indústrias de vários ramos. É preciso lembrar que não se resolve nada quebrando as máquinas se o real problema está protegido por mansões e condomínios de luxo. A indústria farmacêutica, o desenvolvimento das ciências médicas e do linguajamento psiquiátrico não são descartáveis, a real entidade a ser demonizada é a burguesia, a qual faz perverso e colonial o exercício das tecnologias desenvolvidas pelos trabalhadores, além de acumular riqueza e aumentar a desigualdade social.
(Mariana) Portanto, convido você, ouvinte, a lutar pela sua saúde mental junto à sua classe social. Procure acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Construa uma rede de apoio para cuidar do seu sofrimento por meio de recursos diagnósticos desenvolvidos pela ciência e, assim, você poderá ter força e resiliência para defender o que de fato trará saúde mental para o nosso povo, como a educação e a saúde públicas e gratuitas e de qualidade, saneamento básico, direito à cidade e direito à cultura, empregabilidade e salário mínimo digno, sem deixar para trás o mais urgente, o fim da escala 6x1.
(Mariana) Agradeço mais uma vez pelo convite e espero que todos possam ser muito bem cuidados pelas suas redes de solidariedade neste ano de 2026. Se estiver precisando de ajuda, procure o CAPS ou ligue o 188. Estar bem para estar amanhã na luta pelos seus também é uma missão socialista.
(Osmam) Muito obrigado por todas as contribuições, Mariana. E esse foi o Fala Sintet UFU dessa primeira semana de 2026, desejo um próspero ano para todas e todos, um ótimo dia e até o próximo programa.



