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Dia Nacional do Orgulho Lésbico | 19 de agosto de 2026 | Fala SINTET-UFU

  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

PROGRAMA FM UNIVERSITÁRIA –  19 de agosto de 2026


FALA SINTET-UFU - Dia Nacional do Orgulho Lésbico


(Raissa) Olá, companheiras e companheiros, aqui é Raissa Dantas, e neste Fala Sintet-UFU nós recebemos Michelle Marques Silva, que é técnica-administrativa em educação na UFU, pedagoga, graduada em Direito e especialista em História e Cultura dos Povos Indígenas. Michelle vai falar conosco sobre o Dia Nacional do Orgulho Lésbico, celebrado neste 19 de agosto. Seja bem-vinda ao Fala Sintet, Michelle. Sintonize suas lutas!


(Michelle) Olá Raissa, é um prazer participar desse Fala SINTET

Olá também para os ouvintes que  acompanham  este programa.


Hoje quero trazer para nossa conversa um tema que ainda precisa ocupar mais espaço dentro da nossa Universidade e também dentro do movimento sindical: a realidade das mulheres lésbicas no mundo do trabalho, especialmente em nossa Universidade.


Quando falamos em diversidade, muitas vezes pensamos apenas na presença de diferentes pessoas dentro das instituições. Mas estar presente não significa, necessariamente, ser visto, reconhecido ou ter suas experiências consideradas.


Nós mulheres lésbicas estamos em todos locais de trabalho, ocupando diversas  funções e espaços dentro das universidades. Entretanto, essa presença nem sempre aparece nas estatísticas, nos debates institucionais ou nas políticas de gestão de pessoas.


Existe, portanto, uma questão fundamental: como construir um ambiente de trabalho em que uma mulher lésbica possa ser quem ela é sem precisar esconder uma parte de sua identidade para se sentir segura, respeitada ou profissionalmente reconhecida?


Desta maneira, compreendo que a  invisibilidade também é uma forma de violência e não  estamos falando da discriminação em situações explícitas de ofensa, constrangimento ou exclusão, existem formas mais sutis de violência que se manifestam no cotidiano e que produzem efeitos profundos na vida de nós população LGBTQIAPN+. 


Veja bem, quando uma identidade não é reconhecida, quando suas experiências não aparecem nas estatísticas, nas políticas institucionais, nos espaços de decisão ou mesmo nas conversas do dia a dia, transmite-se a mensagem de que aquela existência não importa ou não merece ser considerada. Isso produz um sentimento constante de não pertencimento. É um processo contínuo de autocensura que gera desgaste emocional, ansiedade e sensação de isolamento.

E aqui posso confirmar ter vivenciado com o corpo a experiência do isolamento. A solidão é uma das consequências mais marcantes dessa realidade. Nós mulheres lésbicas passamos anos sem conhecer outras colegas que compartilhem experiências semelhantes, sem referências positivas dentro da instituição e sem espaços seguros para dialogar sobre nossas vivências e sonhos dentro da instituição. Somos frequentemente invadidas por esse sentimento de enfraquecimento diante de desafios que não são apenas individuais, mas coletivos.

Esse isolamento também dificulta a construção de redes de apoio, fundamentais para o bem-estar, para o fortalecimento da autoestima e para o enfrentamento de situações de preconceito.


Além disso, nós mulheres lésbicas enfrentamos desafios específicos decorrentes da combinação entre machismo e lesbofobia. Em alguns contextos, ainda somos alvo de estigmas que questionam nossa feminilidade, competência profissional ou capacidade de ocupar posições de liderança.


Por isso, combater a invisibilidade não é apenas promover representatividade. Combater a invisibilidade é também combater a solidão. E essa é uma tarefa coletiva: das instituições, das gestões e, especialmente, do movimento sindical, que deve ser um espaço onde nenhuma trabalhadora precise enfrentar sozinha os desafios impostos pela lesbofobia e pela exclusão.


Dados já produzidos sobre a população LGBTQIA+ no mundo do trabalho mostram que muitas pessoas ainda não se sentem seguras para falar abertamente sobre sua orientação sexual. No setor público, essa realidade também está presente. Portanto, a estabilidade do serviço público, embora seja uma importante garantia, não significa que estejam eliminados o preconceito, a discriminação ou o medo da exposição.


Por isso, discutir visibilidade não significa exigir que alguém revele sua orientação sexual. Significa garantir que ninguém seja constrangido a escondê-la.


Precisamos reconhecer que mulheres lésbicas podem vivenciar formas específicas de discriminação e que essas experiências precisam ser ouvidas e incorporadas à construção coletiva. E nessa direção, destaco o papel do sindicato, bem como da gestão superior na mobilização desta organização coletiva, e ampliação do debate para todos os segmentos  comunidade Universitaria, transformando experiências individuais de discriminação ou invisibilidade em demandas coletivas por reconhecimento e políticas institucionais.


Precisamos fortalecer espaços seguros de diálogo, incentivar a participação das mulheres lésbicas na organização sindical e na gestão superior nos espaços de decisão e construção das políticas institucionais, combatendo toda forma de lesbofobia no ambiente de trabalho.


Que possamos construir uma universidade pública em que nenhuma trabalhadora precise escolher entre sua identidade e sua segurança, entre ser reconhecida profissionalmente e esconder quem é; entre participar da vida coletiva ou permanecer invisível.


E que o nosso sindicato seja também um espaço de acolhimento, representação e organização para todas as trabalhadoras e todos os trabalhadores.


Porque quando uma pessoa conquista o direito de existir plenamente no seu local de trabalho, todo o coletivo de trabalhadores se fortalece.


Muito obrigada pela escuta.


(Raissa) Muito obrigada pela participação, Michelle. E esse foi o Fala SINTET-UFU dessa semana. Um ótimo dia a todas e todos e até o próximo programa.


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Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos
em Instituições Federais de Ensino Superior de Uberlândia.
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