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Conquistas da Greve de 2026

há 21 horas
7 min de leitura

Nas últimas semanas o SINTET-UFU realizou uma série que rememora as principais conquistas da Greve dos TAE, realizada neste ano de 2026, em continuidade à Greve de 2024. E não poderíamos começar de outra forma que não falando sobre o Reconhecimento de Saberes e Competências, nosso RSC, que foi regulamentado por decreto federal depois de muita luta e persistência da categoria.


RSC


O RSC havia sido idealizado e estava parado há anos, e foi então, por meio da greve e de todos que resistiram, que essa conquista se efetivou. Com forte mobilização nacional, puxada pela FASUBRA, e com o SINTET-UFU organizando a adesão e a permanência da categoria na luta aqui na nossa universidade.


📢 O decreto já virou prática concreta: a UFU assinou diversas portarias concedendo o RSC a técnico-administrativos da instituição. O RSC significa reconhecimento de carreira e impacto direto na remuneração de quem, muitas vezes, trabalha anos sem progressão. É uma conquista que mudará e melhorará a vida de muitos companheiros e companheiras de luta e que deve ser sempre rememorada.


Carreira e qualificação


Seguimos rememorando as conquistas da greve dos TAE de 2026, em continuidade à luta iniciada em 2024. Hoje falamos sobre uma pauta antiga da categoria: o direito de continuar estudando enquanto se trabalha. Por anos, o acesso de técnico-administrativos a programas de mestrado e doutorado esbarrou em burocracia e na falta de prioridade institucional. Foi a mobilização sustentada pelo Comando Local de Greve e organizada pelo SINTET-UFU que trouxe esse tema de volta à mesa de negociação.


O acordo de encerramento de greve garante, em até 60 dias, um estudo de viabilidade para o acesso de TAE a vagas suplementares de mestrado e doutorado, nos moldes já praticados em outras universidades federais. Garante também o diálogo entre o SINTET-UFU e a PROPP pela reabertura de programas multiprofissionais, seguindo o exemplo do mestrado em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, além da criação de uma comissão para aperfeiçoar a política de formação e capacitação de gestores da UFU. E garante isonomia no acesso a afastamento para qualificação, com regras claras para que chefias imediatas não travem o pedido de quem quer estudar. Mais uma conquista de companheiros e companheiras que não deixaram de lutar.


Condições de trabalho e infraestrutura


A greve dos TAE de 2026 também trouxe de volta uma pauta que atravessa o dia a dia de quem trabalha: as condições concretas em que esse trabalho acontece. Cadeira adequada, equipamento que funcione, internet estável, transporte que chegue no horário — questões que pareciam menores foram, na prática, motivo de reivindicação coletiva sustentada pelo Comando Local de Greve.


O acordo de encerramento de greve compromete a gestão da UFU a viabilizar condições adequadas de trabalho em todos os setores, com mobiliário ergonômico, equipamentos de informática atualizados e climatização adequada dos ambientes. Garante também melhoria da infraestrutura de internet nos campi, com prioridade orçamentária estabelecida para essa questão. Os ônibus intercampi serão revitalizados, com ampliação dos horários — inclusive noturno — e garantia de que o transporte não seja interrompido durante as férias acadêmicas. E foi criado um Grupo de Trabalho paritário, com prazo de 30 dias, para debater o acesso de técnico-administrativos aos Restaurantes Universitários com subsídio ou preços acessíveis. Conquistas que só chegaram à mesa porque a categoria se manteve organizada.


Combate ao assédio e acessibilidade


Um ambiente de trabalho seguro e acessível é direito de quem trabalha na UFU, e essa pauta também esteve presente na negociação sustentada pelo Comando Local de Greve. O acordo de encerramento de greve reforça compromissos institucionais nesse sentido.


A gestão da UFU se compromete a promover ações condizentes com a Política Institucional de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, já aprovada pelo Conselho Universitário — reforçando que a existência formal dessa política precisa se traduzir em prática efetiva. No campo da acessibilidade, o acordo prevê a promoção de políticas e práticas segundo as normativas vigentes, com atenção especial às vias de circulação, calçadas, elevadores e rampas de acesso, observando a Lei 10.604/2021 e as normas técnicas ABNT. Fica garantido também que os debates institucionais sejam acessíveis aos trabalhadores, por audiodescrição e participação de intérprete de Libras, com espaço garantido para a participação de trabalhadores com deficiência nos espaços de decisão e nas negociações coletivas. Uma conquista construída com quem mais precisa dela.


Contra a precarização: vagas, concursos e participação nos conselhos


A defesa do serviço público passa, também, pela defesa de quem o presta. Cada cargo não reposto na UFU é sobrecarga para quem já trabalha, ou uma porta aberta para a terceirização — e essa foi uma das pautas mais sensíveis levadas à mesa pelo Comando Local de Greve.


O acordo de encerramento de greve compromete a gestão da UFU a cobrar oficialmente o Ministério da Educação pela reposição de vagas de cargos extintos e pela abertura de concursos para cargos suspensos, garantindo que a reposição da força de trabalho se dê por meio de profissionais do Regime Jurídico Único — e não por terceirização. Garante também o cumprimento da circular interna que assegura a participação de técnico-administrativos nos conselhos das unidades e nos conselhos superiores, com destaque para o Hospital de Clínicas da UFU. Servidor efetivo é o que sustenta um serviço público de qualidade, e essa é uma pauta que a categoria não abre mão de seguir cobrando.


Acesso digital para aposentados e pensionistas


A greve dos TAE também não esqueceu de quem já construiu a universidade ao longo de décadas de trabalho e hoje enfrenta barreiras para acessar seus próprios direitos. Essa foi uma pauta levada à mesa pelo Comando Local de Greve em nome de aposentados e pensionistas.


O acordo de encerramento de greve prevê a ampliação das ações da PROGEP-DIAP para facilitar o acesso de aposentados, pensionistas e pessoas com dificuldade de acesso digital às plataformas necessárias ao acompanhamento de suas demandas, como o SouGov e o SEI. Prevê também a ampliação das ações da DICAP voltadas à acessibilidade digital, incluindo a busca de convênios com escolas de informática da cidade para promover a inclusão digital desse público. Uma conquista pensada para quem segue parte da nossa categoria mesmo depois de encerrada a vida ativa de trabalho.


Aposentados com paridade e o benefício da progressão por capacitação


Outro ponto de conquista que a categoria deve celebrar é o reconhecimento de que os aposentados que possuem direito à paridade também poderão se beneficiar da progressão por capacitação do PCCTAE.


Até então, essa conquista era interpretada como exclusiva dos servidores em atividade. No entanto, com base na Lei nº 15.141/2025, que reestruturou a carreira e criou a regra de aceleração, foi reconhecido que os aposentados com direito à paridade também devem ser contemplados, considerando seu histórico funcional e as décadas de trabalho dedicadas à universidade pública, sem a imposição de novas exigências de capacitação.


Uma Nota Informativa do MGI, publicada em 20 de maio de 2026, confirmou esse entendimento, garantindo efeitos financeiros retroativos a janeiro de 2025. Trata-se de mais uma importante conquista para os aposentados e de um resultado do processo de reestruturação da carreira, que foi colocado em pauta e fortalecido pela mobilização da categoria.


Na UFU, a Reitoria ainda avalia a implementação da medida com cautela e busca maior segurança administrativa e jurídica para sua aplicação. A expectativa é de que outras universidades também adotem o mesmo entendimento, contribuindo para dar maior segurança e uniformidade ao processo.


É importante, portanto, que a categoria tenha tranquilidade neste momento. A PROGEP está realizando os estudos e procedimentos necessários para a implementação da medida, considerando também o volume de demandas atualmente em andamento. A Coordenação do SINTET-UFU, por sua vez, segue acompanhando e pressionando a PROGEP e a Reitoria para que a aceleração seja concedida aos aposentados que atendam aos critérios estabelecidos.


Essa vitória reafirma que quem dedicou sua trajetória ao serviço público não pode ser deixado de fora dos avanços conquistados pela carreira. É, portanto, uma conquista que deve ser celebrada por toda a categoria, reconhecendo também a contribuição histórica dos aposentados para a construção e o fortalecimento da universidade pública.


Campi avançados: Patos de Minas, Pontal e Monte Carmelo


A greve de 2026 também garantiu conquistas específicas para os companheiros e companheiras que trabalham nos campi avançados da UFU, onde as condições de infraestrutura e de gestão costumam ficar em segundo plano em relação à sede — e que, mesmo à distância, sustentaram a mobilização com a mesma firmeza.


Em Patos de Minas, o acordo garante acesso igualitário às ações de qualidade de vida e saúde do servidor, independentemente da localização do campus, padronização e transparência na distribuição das Funções Gratificadas, e o compromisso da gestão superior com a continuidade da obra do campus após a entrega do primeiro prédio.


Em Pontal, o acordo garante a eleição para diretor de campus, em substituição à indicação de assessor pelo reitor — reconhecendo que quem representa os interesses do campus deve ser escolhido pela própria comunidade. Garante também a recomposição de vagas de servidores, com destaque para pedagogas, e Função Gratificada para a área de comunicação institucional.


Em Monte Carmelo, o acordo garante plano de saúde suplementar subsidiado pela UFU, com atendimento efetivo em Monte Carmelo, Ituiutaba e Patos de Minas, concessão de auxílio-transporte de até 6% do vencimento, e o retorno do subsídio do Restaurante Universitário para técnico-administrativos. Conquistas que reafirmam que campus avançado não pode ser tratado como avançado só no nome.


Linha do tempo das vitórias


Nas últimas semanas, rememoramos aqui, uma a uma, as conquistas da nossa greve de 2026, que segue a mobilização iniciada em 2024. Reunindo tudo em uma única linha do tempo: o RSC regulamentado por decreto nacional e já convertido em portaria assinada na UFU; avanços de carreira e qualificação, com acesso a mestrado, doutorado e afastamento com isonomia; melhoria das condições de trabalho e da infraestrutura; reforço no combate ao assédio e avanços em acessibilidade; compromissos contra a precarização, com reposição de vagas e participação nos conselhos; ampliação do acesso digital para aposentados e pensionistas; e conquistas específicas para os campi avançados de Patos de Minas, Pontal e Monte Carmelo.


Nenhuma dessas conquistas veio isolada. Todas nasceram do mesmo lugar: da assembleia, da persistência de quem resistiu, da organização sustentada pelo Comando Local de Greve e pelo SINTET-UFU. Uma história que deve ser sempre rememorada por todos os companheiros e companheiras de luta.



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