ATÉ ONDE OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS? NOTA DE PESAR DO COMANDO LOCAL DE GREVE DO SINTET-UFU
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Há poucos dias, a Universidade Federal de Uberlândia teve o desprazer de receber, em seu ambiente, a visita de um parlamentar federal do Partido Liberal (PL).
Esse parlamentar, como é do conhecimento de todos e todas, é membro de um grupo de políticos que sistematicamente atacam, desqualificam e lutam para destruir as universidades públicas, a ciência, a educação e os valores sociais aos quais dedicamos nossa luta cotidiana.
Apesar de compreendermos que a UFU, como órgão público federal, não pode impedir a circulação e o acesso de qualquer pessoa ou autoridade em suas dependências, lamentamos profundamente que o Reitor da UFU tenha se disponibilizado a proporcionar, por meio de participação no evento e uma fotografia, a oportunidade para que esse parlamentar se autopromova às custas de nossas necessidades.
A disponibilização de verba parlamentar não deve ser motivo ou justificativa para que deixemos de lado nossos princípios de defesa da ciência e da educação pública, laica e de qualidade. Muito menos deve servir de justificativa para que as gestões das universidades federais ignorem, ainda que momentaneamente, todos os ataques que vimos sofrendo ao longo dos anos por parte do grupo político representado por esse parlamentar.
Nem sempre os fins devem justificar os meios, principalmente quando sabemos que, neste caso, os meios são diretamente responsáveis pelas dificuldades em se alcançar esses mesmos fins.
Dessa forma, é com enorme pesar que o Comando Local de Greve do SINTET-UFU tomou conhecimento da disponibilidade do Reitor da UFU em participar de um evento com tal parlamentar que é declaradamente contrário ao investimento na ciência, na educação e no SUS.
Cabe aos representantes máximos das universidades federais utilizarem a autonomia crítica para compreender que é dever institucional criticar e lutar contra o modelo de gestão orçamentária do país que permite a um Congresso Nacional, de caráter fisiológico, se apropriar e sequestrar, do Poder Executivo, o orçamento público, dificultando que o Estado brasileiro realize planejamentos estratégicos que demandem investimentos públicos necessários à promoção do desenvolvimento social e econômico do país.
Quando gestores permitem que um inimigo das liberdades democráticas, da autonomia universitária e da liberdade de ensinar e aprender utilize o prestígio das instituições para fortalecer sua política negacionista e ultraliberal junto à população mineira, abre-se espaço para a instrumentalização política das universidades.
O Comando Local de Greve, que possui uma dinâmica coletiva de deliberação, e que busca evitar posturas oportunistas, ao mesmo tempo em que reconhece as contradições do processo, vem manifestar publicamente seu pesar e seu descontentamento diante do descuido institucional por parte da gestão superior da UFU.
Exige ainda, do Magnífico Reitor que esse tipo de prática não se repita, pois em nada representa a Universidade e em nada fortalece a construção de uma UFU democrática e autônoma.



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